terça-feira, 5 de maio de 2009

Há uma certa urgência



Há uma certa urgência em desfazer
os laços, tirar a fantasia e a maquiagem,
lavar a alma de todo o desaforo que ficou impregnado.
Não há tempo a perder quando a
vida nos arremessa contra o chão em pleno voo.
Gente esperta trata logo de desempoeirar
os joelhos e seguir caminhando,
ainda que o sangue escorra
pelas canelas cansadas.
E eis que lá vou eu para
mais uma jornada, dessas
que chamamos com carinho de recomeço.
É tempo de administrar as decepções
e recolo rir o desbotado dos dias com o que
sobrou de esperança no pincel.
Mas há um amargo na boca,
uma dissonância de sentimentos,
um leve temor do que possa vir mais adiante…
Fazer o quê? Rota de fuga não há.
Atalhos, como sabemos, nem sempre nos
levam aonde queremos chegar.
O jeito é aceitar o desconforto e
torcer por dias menos tumultuados.
Pelo menos por enquanto esse é o preço.
Esse é o legado que fica
de quem nada além disso deixou…

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Minha Memória

Minha Memória
"Minha memória não é a de um caderno-espiral, para distribuir e censurar as confissões, mentir sua extensão e abreviar o conteúdo. É de um caderno capa dura. Não consigo apagar uma lembrança, mesmo que seja dolorida ou humilhante ou os dois. Muito menos alterar seu número de páginas conforme as necessidades da relação. Não sou de riscar o que aconteceu para parecer mais maduro, ou eliminar as contradições e simular coerência. Inclino-me a conviver com as rasuras e insatisfações. O branco do corretivo sempre me irritou mais do que a mancha violeta.

Momentos A Dois